Uma em cada oito espécie de aves conhecidas corre risco de extinção

26 de Abril de 2018

Em todo o mundo, 1.469 espécies de aves estão ameaçadas de extinção, segundo o relatório “State of the World’s Birds”, divulgado esta semana pela BirdLife Internacional. Este número representa 13% do total de 10.966 espécies reconhecidas internacionalmente. O relatório afirma também que a principal ameaça às aves é o avanço da agropecuária.

Atividades como a produção de grãos e derrubada de florestas para abertura de pastos afetam de forma significativamente a existência de mais 74% (1091) do total de espécies de aves ameaçadas globalmente, segundo o relatório. A extração de madeira e espécies invasivas, principalmente em ilhas, estão na sequência de maiores ameaças à diversidade de aves no mundo.

O relatório indica também que 40% das espécies de pássaros em nível global (3,967) passam por um declínio populacional. Desde 1500, já foram extintas 183 espécies de aves em todo o planeta, segundo o relatório. Só neste século, três espécies já desapareceram da natureza:  a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), o corvo-do-havaí (Corvus hawaiiensis), e o po’ouli (Melamprosops phaeosoma).

O Brasil continua a ser o país o maior do número de aves ameaçadas de extinção.  São 169 espécies que correm correndo o risco de serem extintas, 22 delas em perigo crítico ou que já desapareceram de ambientes naturais. No relatório são citadas espécies como a ararinha-azul, extinta na natureza, e a saíra-apunhalada, redescoberta no final da década de 1990, no Espírito Santo.

Com base na lista taxonômica internacional, o país tem a terceira maior diversidade de aves do mundo, com 1.811 espécies. Mas se for considerada a lista brasileira, o Brasil sobe uma posição, com 1.919 espécies, ficando atrás apenas da Colômbia, o primeiro no ranking mundial. Mas o número de espécies não é o motivo principal de o país se destacar negativamente em espécies ameaçadas. O problema é a destruição de habitats endêmicos.

A situação mais grave é na Mata Atlântica, especialmente no chamado Centro de Endemismo de Pernambuco, que inclui também os estados de Alagoas e Paraíba, de acordo com o biólogo Pedro Develey, diretor executivo da Save Brasil, que integra a BirdLife Internacional. “Sobraram apenas 2% da Mata Atlântica do Nordeste, onde está o maior número de espécies ameaçadas no país e onde foram registradas as últimas extinções”, afirma Develey.

De acordo com o biólogo, na Mata Atlântica são reconhecidas 891 diferentes espécies de aves, sendo que 76 delas, ou seja, praticamente a metade, estão ameaçadas. Ele lembra que em 2014, o Ministério do Meio Ambiente reconheceu a extinção de três espécies, todas do Nordeste, embora a BirdLife as considere ainda criticamente ameaçada: corujinha caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum), gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti) e o limpa-folha do nordeste (Philydor novaesi).

Fonte: www.oeco.org.br/noticias/